Nestes dias de calor e ansiedade em Salvador que antecedem o Carnaval, saio de uma leitura densa, questionadora e reflexiva para outra mais leve e alegre. Tiro do armário um dos livros que ganhei no Natal com a certeza de que este é o momento ideal para aproveitá-lo. Trata-se da segunda obra de um autor que, assim como Chico Buarque, passei a acompanhar o seu trabalho além das canções. Porém, enquanto o poeta dos olhos azuis opta por figuras esquisitas como Benjamin, José Costa e o idoso em estado terminal, o bigodudo de óculos escuros prefere contar os causos de sua vida em verso, prosa e música. "Sonhos Elétricos" de Moraes Moreira entra em minha vida da mesma maneira que "Acabou Chorare", fazendo-me sonhar que a folia volte a ser da maneira que Caetano Veloso a descreveu em 1975.
"O Trio Elétrico tem sido uma coisa muito importante nas nossas vidas. Um mito, um exemplo de saúde e criatividade, um argumento eficaz na discussão contra o pensamento careta que vez por outra tenta destransar o barato da música popular no Brasil. Mas principalmente para nós baianos, o Trio Elétrico tem sido sobretudo uma curtição maior deste mundo. Cada carnaval é um acontecimento importante dentro da gente - como tem que ser o carnaval - por causa do Trio Elétrico.
Nunca é demais agradecer a Osmar e Dodô por terem permitido através da sua juventude que isso tenha se dado. Moraes, sempre novo e sempre baiano, sabe isso certo e bonito. É o pique antropofágico do som do Trio, carnavalizando tudo que encontra pela frente - Os clássicos mais populares e os populares mais clássicos. Viva a Bahia!".
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Vermelho
Apenas na segunda faculdade que, quem sabe um dia concluirei, soube da existência de alguns autores, digamos, engajados. Como estudante de letras que era, li as primeiras páginas de Noam Chowsky por causa da linguística obviamente. Com o avanço do semestre e das pesquisas, descobri que o crítico número um do Tio Sam possuía uma verve política ativa. Depois disso, passei a ler alguns artigos em revista e textos na internet, mas ainda não consumi nenhum livro do velhinho ainda. Esta paquera é antiga e logo vai virar namoro.
Na mesma época, soube que o pai do Big Brother não era Boninho e jamais poderia trabalhar na Globo devido ao seu texto irônico, ácido e ainda atual. Na verdade, o criador da teletela - que já dava uma espiadinha em 1984 ou seria nos anos 40? - usava o pseudônimo George Orwell.
Fui batizado com "Revolução dos Bichos" e a identificação foi tão rápida quanto os quinze minutos de fama dos "Ex-BBB's". Crítica, um pouco de humor e muitos questionamentos foram os frutos colhidos por mim da fazenda dos porcos que dominaram os homens através da Revolução. Somente quase uma década depois, comprei 1984 para continuar a saga ideológica. Ontem, cheguei à página 200 e ainda restam praticamente a mesma quantidade para encerrar a leitura. Contudo não sinto-me cansado e terminarei a maratona com o fôlego de um queniano em dia de São Silvestre. Motivos não faltam, pois cabe tudo nas palavras de Orwell: a opinião contrária ao estabelecido, o desejo de liberdade plena e as dúvidas dos personagens que se confundem com as do leitor. De maneira surpreendente para mim, um tema tem percorrido os capítulos do best seller. O amor, inspiração maior na música, marca presença na vida de Winston Smith em sua relação com a vida, mulheres e, sobretudo, sua mãe. No último capítulo, o protagonista relata para a sua querida a beleza do sentimento de uma mãe com os seus filhos. Deliciem-se:
"Quando você ama alguém, ama essa pessoa e mesmo não tendo mais nada a oferecer, continua oferecendo-lhe o seu amor. Como não havia mais chocolate, a mãe abraçara a filha com força. Não adiantava, não alterava coisa nenhuma, não fazia aparecer mais chocolate, não evitava a morte da criança nem a dela mesma; mas, para a mãe, era natural fazer aquilo".
Encerrar com a citação acima seria suficiente, mas não convincente. Parreira e os boleiros de 94 que o digam. Concluo tentando entender o porquê da imprensa definir aqueles que acreditam em ideais políticos como românticos de maneira pejorativa. Provavelmente eles não sabem o que leva as pessoas a participar de uma passeata, acompanhar um comício no meio da praça, fazer manifestação nas ruas ou até arriscar a própria vida. Catarina sabia disso e fez de tudo para os seus filhos tal qual a mãe de Winston.
Amanhã completo 30 anos e o que mais queria era ouvir esse xote com a certeza de que encontraria aquele cantinho para um dengo e receber o que ela me deu de melhor, o seu amor.
Na mesma época, soube que o pai do Big Brother não era Boninho e jamais poderia trabalhar na Globo devido ao seu texto irônico, ácido e ainda atual. Na verdade, o criador da teletela - que já dava uma espiadinha em 1984 ou seria nos anos 40? - usava o pseudônimo George Orwell.
Fui batizado com "Revolução dos Bichos" e a identificação foi tão rápida quanto os quinze minutos de fama dos "Ex-BBB's". Crítica, um pouco de humor e muitos questionamentos foram os frutos colhidos por mim da fazenda dos porcos que dominaram os homens através da Revolução. Somente quase uma década depois, comprei 1984 para continuar a saga ideológica. Ontem, cheguei à página 200 e ainda restam praticamente a mesma quantidade para encerrar a leitura. Contudo não sinto-me cansado e terminarei a maratona com o fôlego de um queniano em dia de São Silvestre. Motivos não faltam, pois cabe tudo nas palavras de Orwell: a opinião contrária ao estabelecido, o desejo de liberdade plena e as dúvidas dos personagens que se confundem com as do leitor. De maneira surpreendente para mim, um tema tem percorrido os capítulos do best seller. O amor, inspiração maior na música, marca presença na vida de Winston Smith em sua relação com a vida, mulheres e, sobretudo, sua mãe. No último capítulo, o protagonista relata para a sua querida a beleza do sentimento de uma mãe com os seus filhos. Deliciem-se:
"Quando você ama alguém, ama essa pessoa e mesmo não tendo mais nada a oferecer, continua oferecendo-lhe o seu amor. Como não havia mais chocolate, a mãe abraçara a filha com força. Não adiantava, não alterava coisa nenhuma, não fazia aparecer mais chocolate, não evitava a morte da criança nem a dela mesma; mas, para a mãe, era natural fazer aquilo".
Encerrar com a citação acima seria suficiente, mas não convincente. Parreira e os boleiros de 94 que o digam. Concluo tentando entender o porquê da imprensa definir aqueles que acreditam em ideais políticos como românticos de maneira pejorativa. Provavelmente eles não sabem o que leva as pessoas a participar de uma passeata, acompanhar um comício no meio da praça, fazer manifestação nas ruas ou até arriscar a própria vida. Catarina sabia disso e fez de tudo para os seus filhos tal qual a mãe de Winston.
Amanhã completo 30 anos e o que mais queria era ouvir esse xote com a certeza de que encontraria aquele cantinho para um dengo e receber o que ela me deu de melhor, o seu amor.
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Canção para o ano novo
Voz, melodia e letra perfeitas. Obrigado, Simoninha, minha família e amigos por tudo!
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Lilás
Pictures
Retomando a série de fotos pelo celular tiradas do carro, andando ou de bobeira sem relação alguma entre si e sempre com citações musicais.
"Prometi novamente voltar para as águas"

"Azul da cor do mar"

"Let love rule"

"Chame gente"

"E lá vou eu"

"Colé merma?!"

"Se plante, Bill!"

"Olha o cachorro louco, fofinho"
"Prometi novamente voltar para as águas"
"Azul da cor do mar"
"Let love rule"
"Chame gente"
"E lá vou eu"
"Colé merma?!"
"Se plante, Bill!"
"Olha o cachorro louco, fofinho"
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
A vida é boa e doce
Em sua despedida, a primavera entrega para o seu sucessor um presente de Natal antecipado com céu azul, banho de mar e o clima tão esperado por nós durante todo o ano. Por outro lado, o período das flores não presenteou os soteropolitanos com aquele frescor gostoso que só a estação dos ensaios para o Carnaval oferece. Com a vibe de verão já latente na pele e mente, começo a perceber a leve brisa que vem do mar e traz consigo um vendaval de vida e energia. Como um suave assovio que entra pelos ouvidos, sinto a vitalidade, que andava tão distante, chegar de mansinho em meu caminho. É nesse instante que "O mar e o ar" da Orquestra Imperial faz pulsar com a mesma intensidade o alto falante e o meu coração.
Este vigor começa a acontecer de maneiras múltiplas e aparentemente sem ligação, no entanto juntas constroem uma única forma tal qual um difícil quebra cabeça da Grow. A alegria então se revela e aponta cada peça do jogo.
A primeira, claro, veio com o combustível que movimenta o meu corpo. Não falo da bebida de trigo, cevada e lúpulo nem daquela famosa de Minas Gerais, mas do material aditivado de potência máxima, a música. E ela surge de modo intenso através daquilo que a faz existir, o instrumento. Talvez pela minha formação rocker, não consigo desvencilhar o “ouvir música” de “fazer o som”. Comecei as aulas de violão com treze anos e parei no mesmo ano, aos 15 ganhei uma guitarra de aniversário e arranho-a até hoje além de tocar bateria imaginária desde sempre. Um amigo da faculdade um dia confessou que seria frustrado se fosse apreciador de artes plásticas já que não soube nada de cor, tela ou pincel. Em “Tigresa”, o filho ilustre de Santo Amaro dá o recado: "como é bom poder tocar um instrumento".
Pensando nisso tudo e com os trinta anos batendo à porta, decido dar um presente especial para mim mesmo e resolvo comprar uma guitarra de gente grande ou “de homem sério” como diziam os antigos. Não foi nem preciso pensar na marca e modelo, bastou apenas eu lembrar das primeiras imagens de Slash, Joe Perry e Jimmy Page que assistia em VHS nos anos noventa. Eis o mito: Gibson Les Paul. Feito o trabalho inicial de viabilidade financeira e pesquisa, realizo o sonho de adolescente e compro um instrumento de 1ª Divisão com o apoio logístico essencial de minha amiga Colha. Logo, a ruiva cromada de Londres desembarcou na Barra e fez o pai se emocionar do mesmo jeito quando ganhou uma BMX Pantera há mais de vinte anos.
Fui apresentado ao segundo sopro vital nesta semana lá em Itapuã e foi amor à primeira vista. Imagino que as proximidades com a antiga residência do poetinha e o cheiro de dendê no ar balançaram as minhas pernas. O objetivo era preparar uma surpresa para a amada e, quem sabe, ser agraciado com um lindo sorriso, contudo não esperava que eu mesmo fosse contaminado pela simpatia daquela criatura de 15 cm de altura e 30 de comprimento. Presente aberto, o sorriso saiu naturalmente com a mesma espontaneidade que o escolhemos no meio de outros também lindos. O pacotinho adentrou ao seu novo lar, reconheceu a área, mexeu em tudo, brincou com o seu nariz e, sem saber, já possuía até nome, Bento. Em menos de três dias de convivência com os novos pais, o primogênito já mostrou pra todos a sua pegada: brincalhão, dengoso, bon vivant, guloso e torcedor do único Bicampeão Brasileiro fora do eixo Sul-Sudeste. Quando conversei com a pessoa que o criou, perguntei qual era a cor daquele que é o melhor amigo do homem. Com a força e a velocidade de um chute do Cabo Lima, a senhora respondeu: “tricolor”. Para completar, ele já teve em sua companhia o manto sagrado em forma de toalha na sua primeira noite de sono. Romário, esse é o cara!
Tudo isso fez com que eu percebesse também que a vida traz sempre surpresas boas mesmo que ela própria tire da gente o que mais amamos. Até hoje, do Campo Grande à Ondina, a guitarra de Armandinho fala "êta vida boa" e Lobão berra no microfone que "a vida é doce". Fico com os dois e digo em alto e bom som: "ELA É BOA E DOCE".
Este vigor começa a acontecer de maneiras múltiplas e aparentemente sem ligação, no entanto juntas constroem uma única forma tal qual um difícil quebra cabeça da Grow. A alegria então se revela e aponta cada peça do jogo.
A primeira, claro, veio com o combustível que movimenta o meu corpo. Não falo da bebida de trigo, cevada e lúpulo nem daquela famosa de Minas Gerais, mas do material aditivado de potência máxima, a música. E ela surge de modo intenso através daquilo que a faz existir, o instrumento. Talvez pela minha formação rocker, não consigo desvencilhar o “ouvir música” de “fazer o som”. Comecei as aulas de violão com treze anos e parei no mesmo ano, aos 15 ganhei uma guitarra de aniversário e arranho-a até hoje além de tocar bateria imaginária desde sempre. Um amigo da faculdade um dia confessou que seria frustrado se fosse apreciador de artes plásticas já que não soube nada de cor, tela ou pincel. Em “Tigresa”, o filho ilustre de Santo Amaro dá o recado: "como é bom poder tocar um instrumento".
Pensando nisso tudo e com os trinta anos batendo à porta, decido dar um presente especial para mim mesmo e resolvo comprar uma guitarra de gente grande ou “de homem sério” como diziam os antigos. Não foi nem preciso pensar na marca e modelo, bastou apenas eu lembrar das primeiras imagens de Slash, Joe Perry e Jimmy Page que assistia em VHS nos anos noventa. Eis o mito: Gibson Les Paul. Feito o trabalho inicial de viabilidade financeira e pesquisa, realizo o sonho de adolescente e compro um instrumento de 1ª Divisão com o apoio logístico essencial de minha amiga Colha. Logo, a ruiva cromada de Londres desembarcou na Barra e fez o pai se emocionar do mesmo jeito quando ganhou uma BMX Pantera há mais de vinte anos.
Fui apresentado ao segundo sopro vital nesta semana lá em Itapuã e foi amor à primeira vista. Imagino que as proximidades com a antiga residência do poetinha e o cheiro de dendê no ar balançaram as minhas pernas. O objetivo era preparar uma surpresa para a amada e, quem sabe, ser agraciado com um lindo sorriso, contudo não esperava que eu mesmo fosse contaminado pela simpatia daquela criatura de 15 cm de altura e 30 de comprimento. Presente aberto, o sorriso saiu naturalmente com a mesma espontaneidade que o escolhemos no meio de outros também lindos. O pacotinho adentrou ao seu novo lar, reconheceu a área, mexeu em tudo, brincou com o seu nariz e, sem saber, já possuía até nome, Bento. Em menos de três dias de convivência com os novos pais, o primogênito já mostrou pra todos a sua pegada: brincalhão, dengoso, bon vivant, guloso e torcedor do único Bicampeão Brasileiro fora do eixo Sul-Sudeste. Quando conversei com a pessoa que o criou, perguntei qual era a cor daquele que é o melhor amigo do homem. Com a força e a velocidade de um chute do Cabo Lima, a senhora respondeu: “tricolor”. Para completar, ele já teve em sua companhia o manto sagrado em forma de toalha na sua primeira noite de sono. Romário, esse é o cara!
Tudo isso fez com que eu percebesse também que a vida traz sempre surpresas boas mesmo que ela própria tire da gente o que mais amamos. Até hoje, do Campo Grande à Ondina, a guitarra de Armandinho fala "êta vida boa" e Lobão berra no microfone que "a vida é doce". Fico com os dois e digo em alto e bom som: "ELA É BOA E DOCE".
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
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