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quarta-feira, 25 de abril de 2012

O telefone tocou novamente

O telefone toca. Ao contrário do que o mestre do samba-rock canta em um de seus clássicos, era o meu amor. Mas não aquele que conhecemos com vinte e poucos anos, ficamos apaixonados e construímos uma relação juntos. O amor do outro lado da linha é antigo e faz o coração bater desde a infância. Não pensem que revivo alguma história com uma coleguinha da escola como tem sido mostrado em "Avenida Brasil" de modo tão delicado e bonito por Rita e Batata. Falo do amor em estado bruto, animal, de pele e sangue para a vida toda. Era ela quem ligava para proporcionar mais um momento alegre à cria.

Dizia ela: "meu filho, você tem um disco de Jorge Ben que tem ele com um cachorro na capa?". E mesmo com quase 30 anos, a eterna criança para ela, responde com a mesma ansiedade de quando esperava os famosos pacotes de figurinhas: "não, mãe. Pode trazer.". Mimo da velha em plena ressaca de uma manhã de sábado e, sendo este um vinil do ídolo, ah, não tem preço.

Ela retorna do trabalho, entrega o presente e aponta uma faixa do lado B com aquele sorriso meigo só dela. O nome da canção? "Katarina, Katarina".


segunda-feira, 28 de março de 2011

9 meses

Em nove meses uma vida se faz
Foi assim que eu cheguei trinta anos atrás

Em nove meses tudo mudou
O lar de repente se esvaziou

Em nove meses estou muito feliz
Casamento e amor como sempre eu quis

Em nove meses a saudade é rainha
Na cidade da alegria tudo lembra a baixinha

Em nove meses muita coisa eu vi
Até o velho Paul cantando “Let it Be”

Em nove meses até o Bahia subiu
Pena que o Paul daqui infelizmente não viu

Em nove meses o tempo não para
A família unida, isso sim, jóia rara

Em nove meses um ato voraz
Por que machucar uma dupla da paz?

Em nove meses muito a se festejar
Amigos do peito sempre a me apoiar

Em nove meses Cate e Paulo se vão
Mas os momentos com eles nunca se apagarão

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Canção para o ano novo

Voz, melodia e letra perfeitas. Obrigado, Simoninha, minha família e amigos por tudo!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A vida é boa e doce

Em sua despedida, a primavera entrega para o seu sucessor um presente de Natal antecipado com céu azul, banho de mar e o clima tão esperado por nós durante todo o ano. Por outro lado, o período das flores não presenteou os soteropolitanos com aquele frescor gostoso que só a estação dos ensaios para o Carnaval oferece. Com a vibe de verão já latente na pele e mente, começo a perceber a leve brisa que vem do mar e traz consigo um vendaval de vida e energia. Como um suave assovio que entra pelos ouvidos, sinto a vitalidade, que andava tão distante, chegar de mansinho em meu caminho. É nesse instante que "O mar e o ar" da Orquestra Imperial faz pulsar com a mesma intensidade o alto falante e o meu coração.

Este vigor começa a acontecer de maneiras múltiplas e aparentemente sem ligação, no entanto juntas constroem uma única forma tal qual um difícil quebra cabeça da Grow. A alegria então se revela e aponta cada peça do jogo.

A primeira, claro, veio com o combustível que movimenta o meu corpo. Não falo da bebida de trigo, cevada e lúpulo nem daquela famosa de Minas Gerais, mas do material aditivado de potência máxima, a música. E ela surge de modo intenso através daquilo que a faz existir, o instrumento. Talvez pela minha formação rocker, não consigo desvencilhar o “ouvir música” de “fazer o som”. Comecei as aulas de violão com treze anos e parei no mesmo ano, aos 15 ganhei uma guitarra de aniversário e arranho-a até hoje além de tocar bateria imaginária desde sempre. Um amigo da faculdade um dia confessou que seria frustrado se fosse apreciador de artes plásticas já que não soube nada de cor, tela ou pincel. Em “Tigresa”, o filho ilustre de Santo Amaro dá o recado: "como é bom poder tocar um instrumento".
Pensando nisso tudo e com os trinta anos batendo à porta, decido dar um presente especial para mim mesmo e resolvo comprar uma guitarra de gente grande ou “de homem sério” como diziam os antigos. Não foi nem preciso pensar na marca e modelo, bastou apenas eu lembrar das primeiras imagens de Slash, Joe Perry e Jimmy Page que assistia em VHS nos anos noventa. Eis o mito: Gibson Les Paul. Feito o trabalho inicial de viabilidade financeira e pesquisa, realizo o sonho de adolescente e compro um instrumento de 1ª Divisão com o apoio logístico essencial de minha amiga Colha. Logo, a ruiva cromada de Londres desembarcou na Barra e fez o pai se emocionar do mesmo jeito quando ganhou uma BMX Pantera há mais de vinte anos.

Fui apresentado ao segundo sopro vital nesta semana lá em Itapuã e foi amor à primeira vista. Imagino que as proximidades com a antiga residência do poetinha e o cheiro de dendê no ar balançaram as minhas pernas. O objetivo era preparar uma surpresa para a amada e, quem sabe, ser agraciado com um lindo sorriso, contudo não esperava que eu mesmo fosse contaminado pela simpatia daquela criatura de 15 cm de altura e 30 de comprimento. Presente aberto, o sorriso saiu naturalmente com a mesma espontaneidade que o escolhemos no meio de outros também lindos. O pacotinho adentrou ao seu novo lar, reconheceu a área, mexeu em tudo, brincou com o seu nariz e, sem saber, já possuía até nome, Bento. Em menos de três dias de convivência com os novos pais, o primogênito já mostrou pra todos a sua pegada: brincalhão, dengoso, bon vivant, guloso e torcedor do único Bicampeão Brasileiro fora do eixo Sul-Sudeste. Quando conversei com a pessoa que o criou, perguntei qual era a cor daquele que é o melhor amigo do homem. Com a força e a velocidade de um chute do Cabo Lima, a senhora respondeu: “tricolor”. Para completar, ele já teve em sua companhia o manto sagrado em forma de toalha na sua primeira noite de sono. Romário, esse é o cara!

Tudo isso fez com que eu percebesse também que a vida traz sempre surpresas boas mesmo que ela própria tire da gente o que mais amamos. Até hoje, do Campo Grande à Ondina, a guitarra de Armandinho fala "êta vida boa" e Lobão berra no microfone que "a vida é doce". Fico com os dois e digo em alto e bom som: "ELA É BOA E DOCE".

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Mora na filosofia

Conhecemos ela juntos, ambos com 15 anos, em nossa sala de aula através de um professor esquisito que tínhamos. O mestre tinha costumes fora do padrão no ambiente pensado unicamente para o vestibular e ela não era muito simpática. Por todo o ano de 1996, ele se esforçou para que tratássemos a senhora bem ou pelo menos a respeitássemos, mas o interesse pelas teorias, livros e autores citados por ela era muito menor do que as descobertas da adolescência. Definitivamente, filar aula e iniciar a boêmia com a farda do colégio eram programas mais instigantes comparados à leitura de uma "xerox" com 40 páginas. O ano letivo se encerrou e a dona passou despercebida e indiferente em nossas vidas.

Alguns anos depois, num bom baianês, eu "me bati" com a moça de maneira lúdica nas vozes, composições e câmeras de outros mestres. Passei a entendê-la e valorizá-la, mas optei por um caminho diferente. Os mistérios e as reflexões, característicos de sua personalidade, não estavam em meu DNA. Por outro lado, o amigo, já um jovem administrador, descobriu-a e por causa dela, acredito eu, se entregou aos estudos complexos, às artes, inclusive marciais, e passou a ter uma nova forma de encarar esta "vida loka, mano". No início, eu e outros amigos em comum entendíamos esta mudança de comportamento como uma certa ingenuidade e, por que não, loucura? "Tempo, tempo, tempo és um dos deuses mais lindos". Paciente igual aos alquimistas, aguardei o dia em que eu, ela e ele nos encontraríamos novamente.

De maneira inesperada, o acaso surge em uma noite junina especial. O agora maduro amigo declamou para todos no arraiá um dos presentes deixados por ela, a Filosofia: o dom da escrita. "Mora na filosofia, pra que rimar amor e dor?". O amor reinou, afinal, era casamento na roça.

Pena que, pouco depois, não notamos o alerta feito por Caetano e o amor rimou com dor também em uma dia de festejo junino. Mas o sentimento verdadeiro não se abala e permanece vivo nos nossos corações e nas palavras do filósofo.

Duro Guerreiro, Terna Dama por Yang Mendes

O guerreiro tombou
Como todo cavalheiro preparado
Tinha uma grande dama ao lado
Que com toda singeleza também serenou

Tal as grandes damas de Atenas
Quiçá um dia entenderá o Chico
Sabia ser sublime ao fazer-se elemento alquímico
Transmutando-se em nada para parecermos um tudo apenas

Talvez não haja maneira mais digna de ser grande
Que fazendo outros grandes, mesmo quando pequenos
Pequenina e de sorriso meigo que não esqueceremos
É a grande dama que também tombou ao lado do guerreiro gigante

Foi com que ela que o guerreiro mais cresceu
Tornou-se mais forte, reforçou-se de coerência
Ah, meu amigo, como sentiremos tua ausência
A voz tranqüila e o pensamento abrangente que a vida lhe deu

Sempre bem humorado para questões de humor
Sabia apaziguar qualquer ambiente
Sempre rígido, com seus valores era um valente
Que soube resistir a qualquer dor

Mas a dama e guerreiro não tombaram
O que jazem são seus corpos de carne, osso e carbono
Pois sabemos que ao verem suas virtudes distribuídas a tanto dono
Os anjos e deuses ao lhes receberem as trombetas soaram

E apesar da covardia tê-los aparentemente abatidos
Ressoam insistentemente em nossos corações
Suas vozes, seus sonhos e seus sons
E percebemos quão ilusório é aquilo que foi levado a tiros

Catarina é ternura permanente e contumaz
Paulo, a dureza valente para o que der e vier
Portanto, vos lembro o que me lembrou meu amigo Éder
“Há que endurecer-se sem perder a ternura jamais”

Melhor dizendo:
“Há que ser Paulo sem deixar de ser Catarina jamais”

Grato por ter compartilhado vida com vocês e por ter recebido mais vida de vocês

terça-feira, 27 de julho de 2010

Pra ela - 2

Na tentativa de aproveitar os últimos dias de férias e espairecer as ideias, recorro à sétima arte. Mais uma vez, opto pela comédia, que tem sido companheira ultimamente e torna-se imbatível quando bem feita, e sigo a indicação de um amigo de meu pai. Busco a sessão na internet e lamento que os horários dos filmes de arte continuem absurdos. Como só volto a trabalhar na próxima semana, posso ter o privilégio de assistir um filme às 16:40 em uma terça-feira comum. Só consigo fazer isso nestes momentos de ócio ou quando era estudante da UFBA e tinha o estudo das apostilas como única preocupação. Esta pode ser uma das causas das salas estarem sempre vazias, o que garante tranquilidade para o espectador, mas também inviabiliza qualquer rentabilidade para o negócio.

Voltando à película, a sinopse de "O Pequeno Nicoulau" não encanta muito, mas algo dizia que a diversão seria garantida. Afinal, a identificação com o tema foi imediata, pois imaginei encontrar ali cenas de amizade na infância, brincadeiras de criança e muito humor. E estava certo. As aventuras de Nicolau e seus amigos lembraram muito os anos 80 no Condomínio Catavento, tornando a alegria absoluta por toda a sessão.

No caminho para o novo lar, a leveza toma conta do corpo e conto para ela, do nosso jeito, as travessuras dos pequenos franceses e vejo o seu sorriso em minha mente.

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terça-feira, 20 de julho de 2010

Pra ela

Dentre tantas versões, fico com a voz que ela tanto ouvia e eu nunca tive a sensibilidade de apreciar.

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