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quinta-feira, 12 de março de 2009

Uma tarde em Itapuã

16:00! Estou atrasado. Arrumo a mochila, ajeito a roupa e o pouco cabelo que me resta e me despeço dos colegas. Destino: Itapuã. Como estava na Barra e o sol brilhava sobre o mar, segui pela Ladeira da Barra, Avenida Oceânica e Ondina. Uma música da A Cor do Som definia bem o momento: "na cidade, o caminho é sempre melhor pela beira do mar".

Volto pro asfalto e o trânsito de sempre atrasa a chegada. Após 1 hora e 20 minutos, passo pela casa de Juvená e viro à direita. Estaciono o carro e volto depois de quatro anos para um dos hotéis mais tradicionais da cidade que o poetinha escolheu para viver com sua Gessy. Sonhei logo com uma água de coco na beira da praia. Mas a razão subiu pra cabeça mais rápido do que um gancho de Popó. Estava ali a trabalho.

Como de costume, a reunião foi árdua com tudo a que temos direito: questionamentos, comentários irônicos, redução da verba e soluções assertivas apresentadas pela agência. Baiano bota pra fuder. Ainda mais baiano publicitário.

19:30. Cansado, vejo novamente a casa de Juvená e decido voltar pela praia pra descansar a mente. Na primeira curva, me deparo com uma cena de cinema. "Lua de São Jorge, brilha sobre os mares". Ela estava lá, "cheia, branca, inteira", iluminando o mar de Itapuã. Poucos metros depois, encontro o diplomata mais boêmio do Brasil contemplando a paisagem. Não resisto, dou uma volta pela praça e aprecio tudo de novo. Chico sabe das coisas: "é preciso conservar o olhar de turista sobre nossa cidade".

Com essa idéia na cabeça, cruzo Itapuã no estilo cheque-tartaruga. Paro em Cira e devoro um acarajé crocante de pimenta virada na porra, vatapá cremoso e salada temperada. Sigo o caminho e vejo que o Língua de Prata, o parque de diversões, o Bar de Mamão, o fedor de peixe, o pirateiro, a igrejinha, a Topic lotada, o mercado sujo e, claro, a sereia continuam lá. E que seja assim pra sempre!

Para terminar, sonho com muitas tardes em Itapuã iguais a esta cantada por Toquinho e Vinícius nesse show antológico na Itália: http://www.youtube.com/watch?v=gfwCMV-MkA4


sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Para viver um grande amor

"Eu não ando só
Só ando em boa companhia
Com meu violão
Minha canção e a poesia

Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso.
Muita seriedade e pouco riso, para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher.
Pois ser de muitas, pôxa!, é pra quem quer, nem tem nenhum valor.
Pra viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro
E ser de sua dama por inteiro, seja lá como for.
Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada
E portar-se de fora com uma espada para viver um grande amor.

Eu não ando só
Só ando em boa companhia
Com meu violão
Minha canção e a poesia

Para viver um grande amor direito, não basta apenas ser um bom sujeito.
É preciso também ter muito peito, peito de remador.
É sempre necessário ter em vista um crédito de rosas no florista, Muito mais, muito mais que na modista!
Para viver um grande amor. Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, Molhos, filés com fritas - comidinhas para depois do amor.
E o que há de melhor que ir para a cozinha e preparar com amor uma galinha
Com uma rica e gostosa farofinha para o seu grande amor?

Eu não ando só
Só ando em boa companhia
Com meu violão
Minha canção e a poesia

Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto,
E até ser, se possível, um só defunto pra não morrer de dor.
É preciso um cuidado permanente não só com o corpo, mas também com a mente,
Pois qualquer "baixo" seu a amada sente e esfria um pouco o amor.
Há que ser bem cortês sem cortesia, doce e conciliador sem covardia. Saber ganhar dinheiro com poesia, não ser um ganhador.
Mas tudo isso não adianta nada se nesta selva escura e desvairada
Não se souber achar a grande amada para viver um grande amor." (Toquinho e Vinícius)


Ô tarefa difícil...