Volto pro asfalto e o trânsito de sempre atrasa a chegada. Após 1 hora e 20 minutos, passo pela casa de Juvená e viro à direita. Estaciono o carro e volto depois de quatro anos para um dos hotéis mais tradicionais da cidade que o poetinha escolheu para viver com sua Gessy. Sonhei logo com uma água de coco na beira da praia. Mas a razão subiu pra cabeça mais rápido do que um gancho de Popó. Estava ali a trabalho.
Como de costume, a reunião foi árdua com tudo a que temos direito: questionamentos, comentários irônicos, redução da verba e soluções assertivas apresentadas pela agência. Baiano bota pra fuder. Ainda mais baiano publicitário.
19:30. Cansado, vejo novamente a casa de Juvená e decido voltar pela praia pra descansar a mente. Na primeira curva, me deparo com uma cena de cinema. "Lua de São Jorge, brilha sobre os mares". Ela estava lá, "cheia, branca, inteira", iluminando o mar de Itapuã. Poucos metros depois, encontro o diplomata mais boêmio do Brasil contemplando a paisagem. Não resisto, dou uma volta pela praça e aprecio tudo de novo. Chico sabe das coisas: "é preciso conservar o olhar de turista sobre nossa cidade".
Com essa idéia na cabeça, cruzo Itapuã no estilo cheque-tartaruga. Paro em Cira e devoro um acarajé crocante de pimenta virada na porra, vatapá cremoso e salada temperada. Sigo o caminho e vejo que o Língua de Prata, o parque de diversões, o Bar de Mamão, o fedor de peixe, o pirateiro, a igrejinha, a Topic lotada, o mercado sujo e, claro, a sereia continuam lá. E que seja assim pra sempre!
Para terminar, sonho com muitas tardes em Itapuã iguais a esta cantada por Toquinho e Vinícius nesse show antológico na Itália: http://www.youtube.com/watch?v=gfwCMV-MkA4